Oficina de textos
Esses dias, andei pensando, coisa
rara, pra mim, neste começo de ano, numa maneira de fazer com que os textos de
meus alunos fossem lidos. Deixa eu me corrigir, diretora, professores, alunos e
outros que me lêem no momento. Na verdade, tenho procurado uma forma de fazer
com que outras pessoas, além de mim e os próprios autores dos textos, no caso,
alunos meus, lessem as produções incitadas em sala de aula, pensando eu que
essa seria, e ainda penso ser, uma forma para que essas produções feitas, sob o
olhar da escola, saíssem com maior capricho.
Não quero dizer que não vejo empenho
de meus alunos ao produzirem um texto. Sim, vejo e sei que o oficio de escrever
não é fácil. No entanto, é preciso. Diante disso, se alunos vissem suas
produções, sendo lidas por outros, também alunos, e comunidade em geral, creio
que o esforço ao labor do texto seria dobrado. O capricho e a escolha das
palavras e das emoções sairiam de melhor tom.
Claro que aí, você que me lê poderia
pensar, haveria o risco dos alunos travarem, porque outro colega viu seu texto
e não gostou, e gostando, saiu falando mal de sua produção e etc.., etc... e
tal. É um risco a correr. Mas isso, esse temor exagerado com a opinião dos
outros, era comum nas gerações mais tímidas, a minha, por exemplo. A dos meus
alunos, espero quase tudo, menos esse gesto de acanhamento. O desbunde da tropicália achou casa aqui
nessa turminha de 2000 pra cá.
Há alguns anos, trabalhando na antiga
Escola Agrotécnica de Codó-MA, hoje chamado de IFMA, propus àqueles meus alunos
uma produção textual, na oportunidade, o gênero era crônica, e já havia em mim
a ideia de fazer com que os textos deles circulassem além de minhas mãos e
vistas. Depois de combinado com as turmas, textos revisados e em mãos, as
produções, colei-as em salas diferentes. Ou seja, os textos dos alunos da turma
“A”, por exemplo, colei-os na turma “B”, e os da “B”, na “A”.
O resultado foi o melhor possível. Vi e ouvi entre
meus alunos comentários sobre os textos produzidos. Isso pode até parecer pouco
a ouvidos e olhos muito pragmáticos e desatentos, talvez até o seja. Mas, para
mim, foi o pico do gozo. Li ali nos comentários dos alunos, à princípio, que
muitos leram os textos dos amigos. Depois, vi, nos olhos dos que comentavam,
que gostaram. Outros também podem não ter gostado, mas o jogo da escrita é
assim mesmo, igual a tantas outras situações na vida: a algumas agrada já a
outras desagrada, o que importa mesmo é a PROVOCAÇÃO...: “ ...fazer o leitor
satisfeito de si dar o desespero”.
Para mim, aquele exercício de olhar com carinho o
escrito, rir, sentir-se tocado por uma palavra, pois isso arrancou de quem leu
uma lembrança, um projeto, uma previsão, ou até mesmo o desconcerto de um
palavrão imensurável, mal colocado, valeu e vale muito.
Agora, pensando em meus alunos de agora, resolvi criar
esse “Blog Oficina de textos”, um meio para que eles possam postar textos, não
importando o gênero, também ler, reler escritos de autoria própria e de outros,
e sobre tudo que repassem o visto, critiquem e façam e refaçam um telhado de
palavras dos textos lidos.
A oficina está aberta, fiquemos à vontade.
Valdemir Guimarães Sousa é
professor de Língua Portuguesa nas escolas Estevam Ângelo e Lúcia Bayma, ambas
situadas no município de Codó-MA.
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